NEM VESPA, NEM LAMBRETTA

Nem Vespa, nem Lambretta. Nem Piaggio, nem Innocenti. Embora a iniciativa da produção desses dois veículos que revolucionaram o mercado mundial tenham partido dos donos das duas empresas, Enrico Piaggio e Ferdinando Innocenti, o verdadeiro nome por trás das duas clássicas é o do engenheiro aeronáutico Corradino D’Ascanio.

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No fim da guerra, D’Ascanio foi contratado por Innocenti, que das ruínas de sua fábrica de tubos de aço enxergou uma saída: desenvolver um veículo simples, robusto, de preço acessível, que pudesse ser pilotado por mulheres e homens, fosse capaz de levar um passageiro e que as roupas do condutor fossem preservadas na pilotagem.Tudo começou bem longe da Itália, no período que antecedeu a 2ª Guerra Mundial e muita gente decidiu deixar o país, algumas para imigrar para Quebec. Foi dos scooters clássicos Cushman,  fabricados a partir da década de 1930 nos Estados Unidos, e que foram utilizados pelo exército americano no período que antecedeu a guerra na região dos Alpes Austríacos, que nasceram a inspirações de design tanto para a Vespa quanto para a Lambretta.

D’Ascanio esboçou um veículo de duas rodas com a troca de marchas sendo feita através do guidão e com o motor diretamente conectado na roda traseira. Naquele momento, tudo teria dado certo entre os dois se ambos não discordassem em um ponto: D’Ascanio queria que o chassis fosse estampado e Innocenti queria que o chassis fosse tubular. Com isso, D’Ascanio rompeu a parceria e abandonou o projeto.

Enquanto isso, Enrico Piaggio, filho de Rinaldo Piaggio, fundador Piaggio, e que na época dirigia a empresa, já consagrada por construir locomotivas, trens e aviões, também buscava maneiras de se recuperar após ver sua fábrica em Pontedera ser dizimada na guerra. Assim como Innocenti, Piaggio viu no mercado a necessidade de um veículo bom e barato para atender a demanda das massas.

Porém, Piaggio não gostou do design, que tinha a parte central do chassis alta e fechada, além de outros detalhes. Foi então que D’Ascanio, que havia rompido com Innocenti, entrou em cena na Piaggio.O primeiro protótipo se chamava “MP5” (Moto Piaggio no. 5), ou “Paperino”, como foi apelidado, e havia sido desenvolvido pelos engenheiros aeronauticos Renzo Spolti e Vittorio Casini.

Dessa nova parceria nasceu o protótipo “MP6”, que era o que havia de melhor no protótipo anterior e das ideias de D’Ascanio. O protótipo seria batizado de “Vespa” e deu origem ao primeiro modelo a ser produzido em escala, que teve o seu lançamento oficial em 1946.

vespa 1946
Vespa 98 1946, primeira feita em escala pela Piaggio

Com a saída de D’Ascanio do projeto de Innocenti, ele recorreu aos também engenheiros aeronauticos Cesare Pallavicino e Pier Luigi Torre para tocarem o projeto para frente até a Lambretta iniciar sua produção em escala pouco tempo depois, em 1947.

Já com a Vespa e a Lambretta sendo produzidas em escala, observou-se que a Vespa continha menos peças, custava menos e era finalizada em menos tempo que a Lambretta.

Batismos

O batisto da Vespa se deu na primeira vez que Enrico Piaggio viu o novo protótipo. “Ela lembra uma vespa!”, disse. Logo depois, o nome, que se tornaria uma grande marca, foi registrado.

O veículo de Innocenti foi batizado inspirado no rio “Lambro”, localizado na região da fábrica da Innocenti. Devido a grande popularidade no Brasil entre as décadas de 1960 e 1970, popularmente o nome “Lambretta” perdeu um “T” e virou sinônimo para todo tipo de motocicleta ou scooter pequena – assim como aconteceu com Bombril para palha de aço, entre outros produtos consagrados. Por esse motivo é comum que muitas pessoas, por desconhecimento, chamem a Vespa de “lambreta”.

Vespa e Lambretta hoje

Das duas, oficialmente, só a Vespa ainda é fabricada. Mas ainda existem muitos fabricantes de peças e acessórios para ambas espalhados por todo o mundo.

Embora a Innocenti e a marca “Lambretta” tenham sido vendidas para outras empresas, diversos modelos da Lambretta chegaram a ser fabricados sob licença na Argentina (Siambretta), Brasil, Chile, Colômbia, Índia e Espanha (Serveta).

No Brasil, tivemos os modelos D, ou “Standard”, e LD, ou “Luxo”, LI, Cynthia e Minissaia, além do triciclo Lambrecar e dos derivados Xispa, Pônei e Tork.

Em 2014, a Scomadi lançou na Inglaterra um scooter 4 tempos com design inspirado nas linhas dos modelos GP e DL da famosa Lambretta, nas versões 50cc, 125cc, 300cc e uma elétrica que, embora não tenha sido anunciada, foi apresentada nos showrooms onde a marca colocou seus lançamentos em exposição.Na Índia, a produção de um triciclo derivado das Lambrettas perdura até hoje. Também há um scooter produzido em Taiwan, batizado de Lambretta LN, lançado em 2011, e que tem seu design inspirado nos modelos antigos.

vespa 946
Vespa 946

A Piaggio conseguiu vencer as diversas crises de sua história, tendo se transformado na mais conceituada fábrica de scooters do mundo, além de ainda ter a marca “Vespa” como seu carro-chefe. O modelo PX, inclusive, ainda é fabricado na Itália nas versões 125cc e 150cc. Também seguem em produção os modelos GTS e GTS Super, scooters modernos inspirados nas Vespas do passado, e modelos que carregam o nome e design de modelos consagrados, como a Sprint, Primavera e o recém lançado 946, baseado no primeiro modelo da Vespa, de 1946.

Em paralelo, outros modelos derivados também são comercializados pelo mundo. O mais famoso é praticamente uma cópia do modelo PX e é produzido pela LML, na Índia, sendo importado para vários países do mundo com motorização 2 tempos e 4 tempos. No Brasil, da Vespa, entre os modelos considerados clássicos tivemos as M3, M4, Super e PX. Também se sabe a existência de exemplares que foram trazidos ao Brasil via importação: Rally, 50 Special, Faro Basso e 125. Reza a lenda que o modelo Primavera também já foi visto em terras tupiniquins.

Dica: use protetor solar ao pilotar sua moto, para evitar os efeitos danosos do sol em excesso, caso não queira comprar oxinova para recuperar a pele depois.

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